I've been waiting for a change of heart...
Nossa como escutava essa música da Cindy Lauper, com quatorze anos e como essa frase resume o que sinto aos 28.
Waiting for a change of heart...
a change of heart
change of heart
of heart
heart...
Exatamente esperando mudanças. Esperando mudanças que talvez nunca venham e aprendendo aceitar cada detalhe. Cada falha. É uma luta, porque se é falha é difícil aceitar. Mas tenho que aceitar.
São tantos detalhes. De mim mesmo para mim mesmo. Tantas coisas que eu penso que não vivi. Tantas frases que queria ter dito, gestos que queria ter feito, olhares, beijos e vitórias que queria ter conquistado.
Foi incrível o dia em que eu assisti a um filme do Jim Carrey chamado O Show de Truman. Pensei que tinham descoberto tudo o que eu pensava durante a infância e adaptado em um filme. Aquilo ali é exatamente como eu me sentia aos oito, nove anos. Eu tinha certeza que minha mãe era uma atriz contratada e vez ou outra olhava para trás rapidamente, pois tinha certeza de que iria encontrar um cameraman escondido.
Isso foi bem antes de inventarem reality shows, pelo menos aqui no Brasil. Eu achava que minha vida era transmitida, de algum jeito em algum lugar... Depois vieram uns pensamentos de que a realidade espiritual nos observa o tempo inteiro´, já li alguma coisa mais ou menos assim, então acho que quando criança tinha uma ligação mais forte com a realidade espiritual e por isso ficava procurando as câmeras.
É um querer eterno. Ser uma pessoa feliz e adulta. Quando eu tinha uns dez ou onze anos eu queria ser adolescente, porque via filmes e séries onde os adolescente sempre apareciam super bonitos, então eu achava que aquilo seria um status a mais, a adolescencia. Lembro que eu inventava uns trejeitos, que via na TV e imitava. Tipo, carregar mochila só por uma alça. Aos dez anos eu fazia isso e me via como o cara mais descolado do planeta.
Ser menos irritadiço e mais esperto. Sorrir mais, botar o Mouse pra fora! Eu fico cansado de mim mesmo, mas eu me aceito mesmo assim.
Ser mais parceiro. Preencher certas lacunas que eu nunca consegui preencher. Só sei da dor gerada aqui dentro.
Eu sou Terra, Caban. Sou um monstro que navega pela superfície do planeta, uma espécie de terremoto humano. Uma das características das pessoas que tem esse selo maia é a personalidade controversa. Eu já me peguei tanto por ser assim, uma hora falo uma coisa e faço outra. Me vejo fazendo algo mas faço outro algo totalmente diferente. E com a terapia me vejo numa situação e num pensamento novo e controverso também: se tudo tem que ser feito pra mim, isso não me torna uma pessoa egoísta?
Equilíbrio para os povos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário