Se é que existem cores para isso, o cinza hoje talvez fosse o mais adequado. Overworld. Um horizonte infinito atemporal, a-espacial. Nuvens carregadas no céu interior. Mas é móvel, é movente, nômade. Os nômades não são aqueles que vivem se deslocando entre pontos, mas são aqueles que deslocam um pedaço de território junto com eles. A tristeza é território, mas em vez de afundar usemos ela como prancha de surfe. Um pedaço do meu território que carrego comigo em minha aventura nômade. Só sendo nômade nesse planeta mesmo. Você fixa raiz, ela apodrece, engessa e te aprisiona. Você alça altos voos, quebra a asa e se arrebenta no chão... Mas sendo nômade, dá até pra engatar em alguns voos, desde que bem ancorado em si mesmo.
É no cinza que as coisas fazem mais sentido pra mim. É um céu mais agradável para se exercitar. É um blend entre branco e preto - já que nem tudo é branco, nem tudo é preto, nem tudo é preto no branco, nem tudo é dual, nem tudo é dicotômico, nem tudo é tão simples como parece. Nada se compara, nada iguala, nada representa, nada é análogo. A realidade é cinza, uma infinitude de semi-tons. E grafite é tudo, inclusive um diamante modificado.
Magos cinzentos afundaram a Atlântida e eu nunca entendi direito qual é a deles.
Da lama à lótus, fundo de poço tem mola, do vale à montanha, o blues inspira composições.
Depressão é produção artística, sempre foi. Ela só não pode passar muito do limite do belo, essa danada. A dor dos poetas é o deleite dos olhos de alguém futuro.
A mitologia da Fênix é bem bonita, mas pena que não há nenhuma garantia. Você pode queimar e permanecer sendo cinzas mesmo, sem voltar com asas novas magníficas. Ou não. Pode virar vibuthi e alimentar a fé de alguém.
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