Quero tudo. É impressionante a tudice do desejo atual. Quero tudo e fico no rancor do não-vivido, na expectativa do e se... e se... e se...
Quero viajar.
Quero ficar.
Quero ser. E quero devir.
Quero amar.
Quero ser frio.
E quente.
Presente e ausente quando necessário.
Quero ser um elástico.
Descartar os plásticos.
Mas sem enforcar nenhuma tartaruga marinha.
Quem sou eu? Penso que nunca me movi, que estou lá, lá no além, no beyond, no que não foi... Eu to bem aqui, acho que sou o resultado do movimento que passou. Não foi tudo sempre estagnado. A roda rodou e não sei direito onde vim parar. Acho que sempre carrego um pedaço do meu chão, mas as vezes parece que perdeu a cor, parece que não me encaixo muito bem nos outros chãos. Ou outros céus. Minha sintonia passa por mil frequências em um mesmo segundo. E não se estabiliza. E quando estabiliza não gosto muito. Weirdo. Sempre gostei da ideia de ser estranho e original. Mas querer ser diferente demais é ser meio brega sem perceber. Aqueles cabelos coloridos, aqueles acessórios exagerados... a pessoa é feia pra raio, mas não, tá sendo só 'original'. É uma fabricação em massa de originais. Simulacros. Mas como dizia o filósofo, uma hora algo novo surge desse fiasco repetitivo.
Quero ação. E inércia.
Quero beijos e abraços e que não me toquem.
Apetite.
Quero correr pelado na neve.
Quero ser capaz de amar. Mas também de fazer business sem me importar.
Cansado do mar de vácuos...
Nutella, Pearljamzar, Transe místico, Tchascar
É o fluxo do gozo. É o nada que se lança nas impossibilidades.
Deixa só aquela impressão sublime e evapora...
Sou como uma pedra. Minha risada ou é forçada ou é maligna. Demoro para entender, ter ou processar sentimentos. São como paredes: as vezes sem tijolos, as vezes muito altas e isoladas.
Não sei bem porque ando tão lisérgico ultimamente. Depois nem eu mesmo lembro o sentido que queria dar a essas porras de frases. Noutras vezes me lembro.
On the road. Jack Kerouac e sua obra beatnik é quase como um pano de fundo do meu coração. Nem me importo muito com a cultura ianque dos anos setenta, mas o clima daquele livro... Vida vivida livre mas não livre das consequências. Amores, dores, anestesias, alegrias, caminhos, passagem do tempo, amigos, trepadas, responsas... On the road, always. Estou ouvindo The Best of Joy Division, deve ser isso. Inspira pra cair na estrada. Confesso que ando cansado da solidão nelas. Mas não tenho escolha. Aproveito para mergulhar em mim. E acabo parando em outros planetas.
Até isso eu quero. Ser um astronauta. Ter uma pequena espaçonave pra voar entre as estrelas. E chegar em civilizações inimagináveis. Mas também quero compartilhar uma cozinha comum. E ter alguém que seja bom de acordar junto. E que se alegre de me ver mesmo descabelado com a cara inchada cheia de remela. Talvez eu esteja pedindo muito, talvez só minha mãe e olhe lá...
Quero ler muitos livros ainda... é o que me mantem vivo, faz meu coração bater em luz. Mas com calma pra não pesar demais a mente. Apenas prazer, busca pela verdade eterna, alimento da imaginação. Quero voltar ao mar, quero crescer, mas não a ponto de enrijecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário