quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

CIANITA

Uma das vantagens de ser do Planalto Central é que lá está o céu mais profundo e brilhante do mundo. Praticamente em todo lugar há uma vista 360º  de céu e nuvens em todo o horizonte ao seu redor.

Hoje a faixa do facebook conecta pessoas,  brincadeiras, conceitos, matérias e idéias, mas na época em que eu morava numa ilha no litoral bahiano as relações humanas eram muito mais diretas. Essa ilha era muito bacana. Meus pais tinham uma lanchonete no centro da ilha e eu corria na areia e tomava muitos banhos de mar, embalado pela própria Iemanjá. Um dia me afoguei numa espécie de banheirinha formada por um círculo de pedras na beira da praia, fui inventar de nadar lá, aos seis anos de idade, mas era um dia de chuva e o mar estava bravo, aí entrei na banheira e fui meio sugado e fiquei lá bebendo água e me debatendo. Minha madrinha estava por perto e me resgatou.

E não dá pra falar sobre esse lugar sem recordar a história do Lion, dos Thundercats. Eu fiquei um ano pedindo o boneco de brinquedo pros meus pais. Na noite de natal deixei uma meia pendurada na janela, fui dormir pensando em ganhar o brinquedo, pensando se Papai Noel iria escutar meu pedido, aquelas coisas de criança. E no dia seguinte ele estava lá, novinho, original! Saí pra brincar, uns dois dias depois de ter ganhado o brinquedo e fui para a praia com um amiguinho. Esse amiguinho cavou um buraco na areia, bem próximo da água e a água subiu por esse buraco e formou uma piscininha onde ele pôs o Homem-Aranha novo dele pra nadar. Eu olhei pra piscininha e pensei "Ah, sou muito mais esperto" e disse alguma coisa do tipo "Meu Lion é muito mais poderoso que esse Homem-Aranha! Minha piscina é muito maior!" E arremessei o boneco no mar! Uma onda veio imediatamente e levou o meu brinquedo pra nunca mais devolver!
 
Água é algo que faz bem para todos os organismos. Eu passo o dia com uma porção de garrafas, bebendo sem parar. E foi através da água que aprendi a nadar, uma das minhas atividades favoritas. Me afoguei algumas vezes no começo da vida, mas depois fui pegando jeito e já atravessei úm kilômetro inteiro no mar, pra chegar numa ilha.
 (E ficar brincando de Lost sozinho lá.)
- Aos seis anos?
- Não, vinte e cinco mesmo.

Um dos lugares mais malucos em que já nadei, foi dentro de uma caverna na Chapada Diamantina, Bahia. Há uma alta concentração de cálcario no interior dessas cavernas e uma densidade difereente na água. Quando entramos nos rios lá dentro, o corpo fica bem levinho e flutua como se estivéssemos vestindo bóias. Maravilhoso! E essa sensação de flutuar na água leve me remete a...

Purificação. Falo muito de coisas da infância e as vezes sou tido meio como chato ou demasiadamente apegado ao passado. Mas não é isso. Sei por onde estou caminhando, onde sou e quem sou. Mas lembrar da infância é lembrar de mim, lembrar do espírito. É ganhar asas, trazendo as qualidades e bons sentimentos de outrora (essa é outra palavra... formidável!) para o momento presente, tentando aproveitar agora o que vem de bom dessa memórias. Eis a origem da nostalgia.  "Agradecendo ao Pai Eterno e à Rainha Iemanjá", acabo de ouvir e é isso.

Tenho uma amiga que fala que oração é da mesma cor que esse texto:azul-claro. As vezes também me sinto assim, mergulhado num mar tranquilo. E mergulhado aqui, vou contar mais uma história dessas de transmissão psíquica:

Eu já não morava mais com meus pais há alguns anos e fui fazer uma terapia que era uma espécie de meditação conduzida, com visualizações e tal. O orientador da meditação, com aquela voz bem calminha e um som de cachoeira num ambiente cheio de incensos dizia:

- Respirem fundo, uma, duas, três.... quantas vezes acharem necessário. Fechem os olhos e imaginem seu espírito saindo do corpo e se elevando até o céu, agora atmosfera, estrelas... Passeiem e flutuem por essas estrelas. Sintam o espaço vazio entre elas. Agora muito devagar, suas almas irão retornar para a Terra. Vocês estão em um lugar bonito, muito tranquilo, com muitas árvores. E então vão procurar uma caverna. Ao encontrarem, entrem nela e visualizem todos os detalhes.

Deitado, com os olhos fechados, fui seguindo os passos que eram falados. Voei, flutuei no espaço e quando cheguei de volta à Terra entrei numa caverna. E era uma caverna de cristal e gelo. O cristal era de um azul tão translúcido que dava vontade de sair patinando lá dentro da caverna. Havia um silêncio tão reconfortador que eu senti que ali estava a verdadeira paz. Então o orientador voltou a falar:

- Agora que já examiram os detalhes internos da caverna, se preparem para encontrar um ser aí dentro. Conversem com ele.  Sintam ele. Ouçam o que ele tem para lhes dizer. Esse ser é seu Mestre Interno.

Continuei caminhando. Haviam várias subcâmaras na caverna de cristal, e quando cheguei em um lugar onde passava um rio, nem grande e nem pequeno, o vi. Sentado em cima de uma pedra, lá estava um velho senhor japonês. Ele tinha uma pele amarelada e era bem baixinho, quase um anão. Usava umas túnicas milenares um chapelão. Muito louco. Sentei e fiquei olhando pra ele. Não me lembro exatamente do que ele disse, talvez tenha feito algum reiki.

Eu juro que não contei essa experiência pra ninguém depois que saí da Gota, lá em Alto Paraíso, onde isso aconteceu. E também nunca tinha escutado a história que ouvi depois, pelo menos não que eu me lembre. Mas uns dois meses depois da terapia que fiz, estava na casa da minha mãe e comecei a escutar ela conversando com uma amiga. Ela começou a descrever uma experiência do passado dela, quando também havia feito uma meditação de regressão e que teria que ter visto um mestre interior e eu fiquei pasmo quando ela descreveu exatamente o que eu tinha visto. (Possivelmente uma manifestação espiritual que também havia se comunicado com ela!).

Não quero sair nunca dessa caverna.




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